quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

BRASIL (São Paulo/SP): Alunos de curso questionam seleção de jurado para o carnaval de SP


22/02/2012 19h33 - Atualizado em 22/02/2012 19h33

Liga das Escolas afirma que destinou 20% das cadeiras a novatos.

Sociólogo quer esclarecer 12 pontos sobre curso realizado em 2011.

Rafael Sampaio e Roney DomingosDo G1 SP
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Um dia depois do tumulto na apuração do carnaval de São Paulo, alunos do curso de formação para julgadores ministrado pela Liga das Escolas de Samba disseram nesta quarta-feira (22) ter entrado com pedido de providências no Ministério Público para exigir da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo esclarecimentos a respeito das notas das provas a que se submeteram no final do ano passado e da classificação que obtiveram. Eles esperavam integrar o corpo de jurados e estranham ter sido dispensados por e-mail. Também afirmam que a liga convocou para o júri pessoas que não participaram do curso.
Procurado pelo G1, o  presidente da Liga de Escolas de Samba, Paulo Sérgio Ferreira, disse que mais de cem participantes fizeram o curso para jurados em 2011. Segundo ele, a Liga deu aos novatos 20% das 27 cadeiras de jurados no carnaval de 2012. Segundo o dirigente, 89 pesssoas estavam aptas a dar notas. A escolha, segundo o presidente, foi feita por sorteio para dar chance a novos e antigos julgadores. Segundo o presidente, todos passam por um treinamento rigoroso e há jurados que estão na Liga há oito anos ou mais.

A Liga abriu em setembro do ano passado o primeiro concurso público para seleção de jurados do carnaval. O presidente da entidade explicou na época que o objetivo era garantir a qualificação e o grau de conhecimento em carnaval do júri e deixou claro que os jurados em exercício também teriam de fazer o curso de capacitação e passar pela seleção.

MP acionado
Sociólogo, professor de história e pós-graduado em cultura brasileira na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Remy Soares dos Santos, de 48 anos, disse que protocolou nesta quarta-feira (22) um pedido de providências no Ministério Público de São Paulo em que questiona 12 pontos do concurso. No documento, ele se queixa da falta de informações sobre desempenho, critica a qualidade técnica do curso e diz que um grupo do Rio de Janeiro pode ter recebido tratamento privilegiado por contar com maior intimidade com o pessoal da Liga.
"Dispomos de vários sábados para o concurso e provas e no final a Liga só nos mandou um e-mail padrão, com uma mensagem fria para quem se dedicou tanto. Falaram no início o curso que entragariam certificado e não entregaram", afirmou.

Fernanda Ferreira, formada em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), afirma que se inscreveu no curso preparatório para jurada do módulo visual no carnaval de 2012, apresentou todas as credenciais exigidas e participou do curso por três sábados no ano passado. Ela estranha o fato de haver entre os jurados pessoas que não fizeram o curso, ao tempo em que alunos que passaram pela qualificação foram descartados. Ela também reclama de não ter tido acesso às notas que obtive nos testes.
"Tivemos aulas exaustivas durante três sábados, das 9h às 19h, com um pessoal contratado do Instituto do Carnaval, do Rio de Janeiro. Não deram uma lista final dos aprovados. Mandaram um e-mail curto e grosso dispensando a gente. Tem que sair o gabarito para gente ver", afirmou. "Não sabemos quantos foram aprovados para ser jurados e nem quantos dos aprovados foram efetivamente requisitados", afirmou.

Também participante do módulo visual, o jornalista Jorge Piccolli afirma que o processo ficou nebuloso por falta de acesso a informações sobre o curso. Ele não sabe sequer sua posição no banco de dados que a Liga prometeu manter. "Não tivemos até hoje a classificação divulgada. Ficaram de divulgar a classificação dia 7 de fevereiro, no site. Vimos ontem (21) vários jurados que não estiveram no curso e não prestaram a prova classificatória", afirmou.

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