13/12/2011 14h15
- Atualizado em
13/12/2011 14h52
Moradores afirmam que cão foi atropelado no domingo (11).
Para veterinária, filhote pode ter sofrido maus-tratos.
Filhote estava internado nesta terça-feira e
passava bem (Foto: Clara Velasco/G1)
Um cachorro foi encontrado com o focinho mutilado em uma favela perto
da Avenida da Barreira Grande, no Jardim Colorado, na Zona Leste de São
Paulo, no início da tarde desta segunda-feira (12). De acordo com Sandra
Saragó, dona de casa que resgatou o animal, pessoas da região afirmaram
que o cão foi atropelado.
Segundo a veterinária Débora Donato, porém, o
filhote de aproximadamente três meses pode ter sido vítima de
maus-tratos.
“Ele não tem nenhum outro ferimento pelo corpo. Não foi
acidente, parece que deceparam o focinho. Nunca vi uma coisa parecida”,
disse.
Segundo Sandra, que preside um grupo de proteção animal de donas de
casa, uma mulher que mora na favela ligou para ela na segunda-feira (12)
informando que um cachorro com o focinho cortado estava em um monte de
lixo. No local, Sandra encontrou o filhote dentro de uma casa em
construção, escondido. “Quando consegui ver, a emoção foi muita, pois eu
nunca vi uma coisa tão feia”, comentou. O animal estava sem a narina e
sem parte da arcada dentária superior.
Sandra questionou as pessoas da região sobre o que tinha acontecido com
o animal e elas afirmaram que ele foi atropelado no domingo. Parte do
focinho do cachorro foi encontrada na rua, mas, segundo a dona de casa,
já estava necrosada. Ela então levou o filhote para uma clínica
veterinária em Sapopemba, também na Zona Leste, onde recebeu os
primeiros cuidados.
Sandra deve ir até o 69º Distrito Policial, em Teotônio Vilela, para
registrar o caso ainda nesta terça-feira (13). Um dos problemas
apontados pela veterinária é que a pessoa que fez a denúncia está com
medo de sofrer retaliação na favela. “Ainda não sei o que vamos fazer,
pois a lei para os animais é muito branda”, comentou.
Internação
Nesta terça-feira, o filhote, que recebeu o nome de Chiquinho em
homenagem a São Francisco de Assis, permanecia internado no Centro
Veterinário Wilson Grassi, em Artur Alvim, na Zona Leste.
“Ele está
conseguindo comer e beber água. Então, provavelmente ele não precisará
ser sacrificado”, comentou Débora. Ele estava sendo medicado e deve
passar por um processo de aceleração de cicatrização. Depois, fará uma
cirurgia e um enxerto na parte mutilada. Não há previsão para o final do
tratamento.
Segundo Leandro Alves, veterinário da clínica em que o cão estava
internado, a lesão pode ter sido causada por qualquer ferimento
cortante, mas não há como afirmar que foi por maus-tratos. “Pode ter
sido um atropelamento. Às vezes o para-lama de um caminhão bateu nele ou
foi uma mordida de outro cachorro que infeccionou e necrosou. Eu
prefiro acreditar que não foi por maus-tratos”, disse. O veterinário
também afirmou que um indício de que o cachorro não foi vítima de
crueldade era que ele não parecia estar traumatizado e respondia bem ao
contato humano. “Ele está bem e tem todas as condições para se tornar um
cachorro sem muitos problemas”.
Os gastos do tratamento estão sendo pagos pela própria clínica. O
futuro de Chiquinho ainda é incerto. “No primeiro momento, vou continuar
com ele, mas tenho outros animais. Não sei se tenho coragem de doar,
mas pode ser que ele arrume uma ótima pessoa que vai cuidar dele
direito”, disse Sandra.
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