13/12/2011 12h37
- Atualizado em
13/12/2011 12h37
Zine Abidine Ben Ali foi tirado do poder por revolta em janeiro deste ano.
Primeira missão de novo presidente será designar novo chefe de governo.
O novo presidente tunisiano, Moncef Marzuki, prestou juramento nesta terça-feira (13) na Tunísia
perante a Assembleia Constituinte e logo depois se instalou no Palácio
Presidencial de Cartago, um ano após o início da revolução que em
janeiro de 2011 retirou do poder Zine Abidine Ben Ali.
Moncef Marzuki, vestido com um roupão castanho claro por cima de um
paletó, prestou juramento com a mão sobre o Alcorão perante os 217
deputados da Assembleia Constituinte e as principais autoridades do
Estado. "Serei fiador dos interesses nacionais, do Estado de direito e
das instituições. Serei fiel aos mártires e aos objetivos da revolução",
declarou.
Sua primeira missão será designar o novo chefe de governo, cargo que
será ocupado por Hamadi Jebali, número dois do partido islamita Ennahda.
Novo presidente tunisiano, Moncef Marzouki, (esquerda) cumprimenta o interino Fouad Mebazaa (Foto: Zoubeir Souissi/Reuters)
"Nossa missão é promover a identidade árabe-muçulmana e estar aberto ao
exterior, proteger as mulheres com véu e as mulheres com niqab, assim
como as que não usam véu", afirmou Marzuki, levantando o temor que
provoca entre os "modernistas" pela chegada ao poder do partido islamita
Ennahda.
Visivelmente emocionado, Marzuki homenageou os "mártires da revolução".
"Sem seu sacrifício, não estaria aqui, neste lugar", disse com lágrimas
nos olhos, e depois lembrou a luta dos povos sírio e iemenita. "O
principal desafio é concretizar os objetivos da revolução. Outras nações
nos veem como uma laboratório da democracia", acrescentou.
O presidente lançou um chamado à "reconciliação" na Tunísia e convocou a
oposição a "participar da vida política e a não se limitar a um papel
de observador".
Marzuki foi designado presidente pela Assembleia Constituinte eleita em
23 de outubro, mas a oposição votou em branco por considerar que a
função presidencial foi despojada de seus poderes.
O novo presidente homenageou seu antecessor Fuad Mebazaa e o
primeiro-ministro atual Beji Caod Essebsi, que dirigiram o país desde a
queda de Ben Ali, no dia 14 de janeiro.
Marzuki também saudou o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, o general Rachid Ammar, que foi calorosamente aplaudido.
O futuro primeiro-ministro, o islamita Jebali, formará posteriormente
seu governo, cuja composição está quase completa, segundo as fontes
políticas, e deve ser submetido à aprovação da Assembleia Constituinte,
certamente antes do fim da semana.
Marzuki assumiu suas funções quase exatamente um ano após o início da
revolta tunisiana, desencadeada no dia 17 de dezembro de 2010 pelo
suicídio de Mohamed Buazizi, um jovem vendedor ambulante de Sidi Buzid,
uma cidade pobre do centro da Tunísia.
Nas manifestações que levaram à queda de Ben Ali morreram cerca de 300 pessoas, segundo números da ONU.
Marzuki exercerá seu mandato em um contexto muito delicado para o país,
atingido por uma crise econômica e social sem precedentes, com um
crescimento nulo em 2011 e uma taxa de desemprego que superará os 18% da
população economicamente ativa, segundo as últimas previsões do Banco
Central da Tunísia.
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