sexta-feira, 22 de abril de 2016

Região Central / RS: Previsão de chuva pode atrapalhar colheita de soja na Região Central

Safra21/04/2016 | 06h03Atualizada em 21/04/2016 | 06h03

Risco é reduzir a rentabilidade da lavoura. Até o começo da semana, cerca de 60% dos grãos já haviam sido colhidos na cidade e na região

Previsão de chuva pode atrapalhar colheita de soja na Região Central Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS
Os frequentes dias de chuva têm deixado os agricultores que plantam soja em alerta na região central do Estado. Isso porque, como a produção está na fase da colheita, a preocupação da Emater Regional de Santa Maria é que o excesso de chuva e a consequente umidade do grão possam interferir na qualidade do produto. Até o começo da semana, 60% dos grãos já haviam sido colhidos na cidade e na região.
O intenso volume de chuva já trouxe perdas para os agricultores Fábio Leandro Moro de Souza, 39 anos, e João Souza, 52. Os irmãos, que têm propriedade em Júlio de Castilhos, plantaram 2.250 hectares entre outubro e novembro do ano passado. A expectativa era de colher de 70 a 75 sacas por hectare da oleaginosa, no entanto, já reduziu para 65. 
Os produtores, que investiram cerca de R$ 2 mil por hectare, já tiveram uma perda que chega a 20% da produção projetada. O mau tempo foi o inimigo deste ano.
– A gente tinha uma boa expectativa, conseguimos plantar na época certa e a soja estava bonita. Mas, com a chuva, está difícil de colher. Os grãos começam a brotar no pé, a gente não consegue entrar na lavoura, os caminhões ficam atolados – lamenta Fábio Leandro.

Tecnologia no campo

Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS
A família investiu na compra de mais uma máquina colheitadeira para acelerar o processo durante os dias de tempo bom. Conforme João, o trabalho ainda deve seguir por uma semana ou um pouco mais. Por isso, os produtores acompanham, constantemente, a previsão do tempo. É preciso uma sequência de dias secos para que a colheita seja eficiente. A possibilidade de novas chuvas assusta os agricultores:
– A tecnologia evoluiu bastante na agricultura, e nós precisamos acompanhar. Investimos pesado, temos um custo alto, compromissos para cumprir. Por isso, temos o receio do tempo – afirma João.

Trabalho estendido
De acordo com o assistente técnico regional de soja da Emater Regional de Santa Maria, Luiz Antonio Rocha Barcellos, neste ano, a safra deve terminar de ser colhida mais tarde. Conforme Barcellos, em função da chuva do ano passado, muitos produtores atrasaram o plantio, o que está refletindo numa evolução mais tardia do grão. A colheita só deve acabar no final de maio e, segundo o técnico, o excesso de umidade do grão pode vir a prejudicar a rentabilidade:
– Quanto mais úmida a soja chegar aos armazéns e cooperativas, mais cara será a secagem. Os descontos vão ser muito grandes, consequentemente, o agricultor lucrará menos. 

Foto: Arte / DSM
O pagamento da secagem da soja, geralmente, é feito em grão. Ou seja, quanto mais úmido o produto chegar, mais grãos serão descontados do produtor, que terá menos produto para revender. Além disso, o técnico também ressalta que, com o atraso na colheita, os grãos começam a brotar, perdendo o valor comercial. 
Na região,  cerca 60% da soja já foi colhida de um total de 890 mil hectares plantados. Apesar do receio dos produtores e do clima instável, as estimativas apontam para uma safra recorde: o Estado deverá colher 15,6 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima 16 milhões de toneladas.

Fôlego para o comércio local
Diante do quadro de recessão econômica e da instabilidade política, o agronegócio é um dos setores que ainda apresenta resultados positivos. Conforme o economista Alexandre Reis, coordenador da Clínica de Finanças da Unifra, a soja tem influência notória na renda que é consumida e gasta em Santa Maria, em especial para setores como serviços e comércio. Como Santa Maria é uma cidade pólo para a região, acaba sente os efeitos diretos de uma boa safra.
– Parte da renda oriunda da soja fica na cidade. Pode ser que nesses anos de crise, isso se reduza um pouco o quadro negativo do comércio local, mas não quer dizer que será desfavorável – pontua Reis.
Ainda de acordo com o economista, no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gaúcho, a cultura foi uma das que mais contribuiu com o fluxo de dinheiro. O professor avalia que, se não fosse o agronegócio, o PIB do Rio Grande do Sul, que encerrou o ano passado com queda acumulada de 3,4% em relação a 2014, seria ainda pior. A produção de soja cresceu 20,4% graças ao aumento do preço em reais e às condições meteorológicas adequadas.
No entanto, apesar dos aspectos positivos, Reis também ressalta que a desvalorização do real produz um impacto negativo para os produtores. Isso porque, no momento em que o agricultor precisa importar implementos, a compra sofrerá valorização:
– Com a moeda real desvalorizada, quando vai exportar a soja, o produtor ganha. Mas, ao importar implementos, em especial os defensivos agrícolas, ele pagará mais caro. Nosso principal comprador de soja, o mercado chinês, vem em desaquecimento desde 2014 e, isso, também gera um impacto no fluxo de dinheiro.
Chuva segue até o final do mês de abril
As previsões não são nada animadoras para os agricultores, pelo menos até o final do mês de abril. Segundo o meteorologista da Somar Meteorologia, Evandro Ribeiro Magalhães, os modelos atmosféricos indicam chuvas regulares até o fim desse mês.Segundo Magalhães, uma massa de ar frio está bloqueada entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, mas, até o final desta semana, ela deve avançar, trazendo chuva para todo o Estado. Segundo o meteorologistas, a expectativa é de cerca de 100mm até o final do mês.
– A chuva só dará uma trégua em maio, quando os modelos indicam pancadas isoladas em alguns locais do Estado. Para o próximo mês, está previsto uma massa de ar frio mais forte, que deve derrubar a temperatura em até 5ºC, o que deve favorecer a não incidência de chuva – destaca Magalhães.

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